Um clã diverso de crocodilos temíveis já habitaram o planeta inteiro. Hoje, apenas 23 espécies permanecem em algumas localidades em todo o mundo. Todos nós já ouvimos sobre o asteroide gigante que fez os dinossauros desaparecerem, porém, o desaparecimento dos crocodilos foi bem tranquilo perto dos dinossauros. Os crocodilos foram levando a vida, passando pelas transformações climáticas ao longo de milhões de anos e sobrevivendo.

Essa linhagem, sobrevivente da época pré histórica reptiliana milenar, mais conhecida como Pseudosuchia apareceram no período cretáceo cerca de 85 milhões de anos atrás, e se espalharam por todo o planeta, diversificando em gigantes terrestres, como o de oito toneladas Sarcosuchus imperator e monstros marinho thalattosuchia.

Enquanto crocodilos não foram exterminados durante a extinção que terminou com o reinado dos dinossauros, a maioria das espécies da linhagem antiga desapareceu ao longo do tempo. De acordo com uma análise publicada esta semana na revista Nature Communications, uma série de mudanças climáticas e do nível do mar foram acabando com estes predadores um por um.

No novo estudo, os pesquisadores de várias universidades construiram o primeiro conjunto de dados abrangente contendo todo o registro fóssil conhecido de ”crocodilianos”, juntamente com os seus parentes já extintos. A figura abaixo, que mostra as alterações no número total de gêneros ao longo dos últimos 250 milhões de anos, mostra quão grande este grupo se expandiu e foram ao longo do tempo como um ciclo para cima e para baixo.

 

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Os crocodilos costumavam estar em todos os lugares, mas as espécies remanescentes de hoje estão restritos a um punhado de habitats tropicais. Para juntar o que aconteceu, os pesquisadores compararam o seu conjunto de dados de fósseis com informações sobre o clima da Terra no passado geológico recente.

Os crocodilos são animais ectotérmicos, ou seja, eles não podem regular sua temperatura interna. Durante a transição de alguns períodos entre 41 a 23 milhões de anos atrás, o resfriamento climático matou muitos crocodilos terrestres no hemisfério norte. Dez milhões de anos atrás os crocodilos sofreram outro golpe quando as vastas zonas úmidas do norte de África ficaram secas e deram lugar ao maior deserto do planeta. Cinco milhões de anos na América do Sul, o aumento da Cordilheira dos Andes deslocou um maciço pantanal na Amazônia que não parecem ter sido afetadas pela mudança climática em si, mas por alterações do nível do mar que acompanham mudanças no equilíbrio ecológico das comunidades do oceano acabaram matando os que viviam no mar.

A morte lenta dos crocodilos é uma história fascinante sobre o passado geológico da Terra, mas também levanta questões sobre o futuro. Se as nossas emissões de combustíveis fósseis continuam sem controle, poderíamos nos encontrar em curso para um mundo semelhante e viver e presenciar o que aconteceu no passado.

É uma soma de fatores com um potencial do efeito colateral da mudança climática que realmente soa bastante com um mundo seco, repleto de répteis como os crocodilos que começarão a evoluir e reaparecer.

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